O passado e o presente de Nísia Floresta


 



Escrito por João Anastácio às 23h43
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            Localização do município de Nísia Floresta

              O município de Nísia Floresta localiza-se a 06º 05º 28º de altitude sul e 38º 12º 31º a Oeste, possuindo uma área de 313 km, equivalente a 0,59% do Estado do Rio Grande do Norte, com altitude média de 20 metros, distante de Natal pela rodovia BR 101 em 43 km e em linha reta 25 Km.

              Pertence a Mesorregião do Leste Potiguar e da Microrregião de Macaíba. Nísia Floresta limita-se ao norte com Parnamirim, ao sul com os municípios de Senador Georgino Avelino e Ares, a Leste com o Oceano Atlântico e a Oeste com São José de Mipibu.

 

 

Distância da sede do município em relação à:

 

               Nísia Floresta/Natal – 42 km

               Nísia Floresta/Aeroporto (PARNAMIRIM) – 28 km.

               Nísia Floresta/Praia de Pirangi do Sul – 25 km.

               Nísia Floresta/Praia de Búzios – 24 km

               Nísia Floresta/Praia de Camurupim – 16 km

               Nísia Floresta/Praia de Tabatinga – 23 km

               Nísia Floresta/Praia de Rio Doce – 24 km.

               Aeroporto/Praia de Pirangi do Sul – 30 km

               Praia de Pirangi do Sul/Natal – 27 km.

               Praia de Barreta/Natal – 59 km

               Praia de Camurupim/Natal – 59 km.

 

 



Escrito por João Anastácio às 23h36
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Histórico da cidade de Nísia Floresta

 

Chamada de Paraguaçu no Século XVII, a área do Município de Nísia Floresta pertencia ao município de São José de Mipibu e que por Lei Provincial número 242 de 18 de fevereiro de 1852 foi ela a categoria de vila e instalada a 07 de janeiro de 1853 por José Joaquim da Cunha com a denominação de ”VILA IMPERIAL DE PAPARY “, por Decreto nº de 12 de 01 de Janeiro de 1890”.

           Foi elevada a categoria de cidade de PAPARI, de acordo com o decreto nº 457, de 29 de março de 1938, no governo do Interventor Rafael Fernandes Gurjão, com Distrito Único. 

PARAGUAÇU, que em língua tupi quer dizer RIO GRANDE era como se chamava antigamente à lagoa de Papari (ou de Nísia, como é mais conhecida nos dias atuais). Antigos documentos, datados de 1607, registram ainda os nomes de UAPARI e IPARI (de UPA ou IPA, lagoa, e PARI, armadilha de pedra), para a mesma lagoa. Já o nome PAPARI, lagoa de PARI, deve-se ao fato de na lagoa haver peixes em ponto de parir (desovar).

 Segundo o historiador Nestor Lima: “Conta-se que os selvagens que ali demoravam, ignorantes de meios de armadilhas de pescar, organizavam pequenas balsas de madeira, amarrados de cipós ou embirras, punham sobre elas ramos de cajueiros ou mangabeira, e, então assim aparelhados, vadeavam a lagoa, muito piscosa, máxime nas épocas primitivas, e, agitando as águas com varas, provocavam o salto dos peixes que caíam entre os ramos, sobre as balsas e embaraçavam-se nelas, fazendo deste modo os indígenas as suas pescarias. A essa operação chamavam os selvagens de PASPARY que quer dizer” SALTO DE PEIXE ““.

          Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome se modificou para o de PAPARY.

          Porém, ao salto do peixe diz-se PIRA-PUREA e não PASPARY. O processo de bater no rio a fim de atrair peixes denomina-se POTECA-PARANÁ e é ainda usado no Amazonas e no Pará. Os indígenas empregavam muitas armadilhas de pesca, JIQUI, PARI, MATAPI, etc.

           Com o projeto de autoria do Deputado Estadual Arnaldo Barbalho Simonetti, natural de Goianinha, o município de Papary teve seu nome trocado para “Nísia Floresta”, de acordo com Decreto Lei Municipal nº 146 datado de 23 de dezembro de 1948, numa justa homenagem à memória da escritora e educadora DIONÍSIA GONÇALVES PINTO, conhecida pelo pseudônimo de NÍSIA FLORESTA BRASILEIRA AUGUSTA.

 



Escrito por João Anastácio às 13h42
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      AS HISTÓRIAS QUE NOSSOS PAIS CONTAVAM

 

      É muito comum ouvirmos alguém criticando  a "falta de memória dos brasileiros". Dizem que esquecemos do nosso passado facilmente e, em muitos casos, isso é verdade. Porém, podemos mudar essa situação e preservar nossa história e nossa cultura.  É com esse propósito que pretendo publicar sempre nesse blog histórias  que ouvimos os mais velhos contarem ou que estão conservadas em livros, como os do grande estudioso potiguar Câmara Cascudo.  

      Se você, leitor, conhece histórias ou causos ligados à cidade de Nísia Floresta aproveite e publique aqui também. Ajude a preservar a história e a cultura nisiaflorestense!

   

     Para começar, deixo aqui registrada a lenda de uma de nossas belas lagoas::

 

 

      Lenda da Lagoa do Bonfim ou das Sete Pontas

 

      Contam os mais velhos que a lagoa do Bonfim teve origem da seguinte forma: uma mulher foi lavar roupa num olheiro, acompanhada de dois filhos, como de costume. Uma das crianças levava um cabaço, com a qual ficava batendo na água que vertia do olheiro, enquanto a mãe lavava as roupas. Essas batidas faziam com que a água fosse aumentando de tal forma que quando deram conta, estavam quase cobertas.

      O jeito foi correr, corriam para um lado e a água vinha de encontro, corriam para o outro e a água aumentava cada vez mais. Foi quando sumiram. Eles só tiveram tempo para correr sete lados, é por isso que a água que deu origem a lagoa tem sete pontas.

      Muitos dizem que essas pessoas se transformaram em uma imensa serpente encantada, cheia de cores, que aparece em noites claras.

 

Fonte consultada: Medeiros, José Geraldo Rodrigues. Geo-história do Município de Nísia Floresta. S/d

 

  

 

         Agora vou listar o resultado de uma pesuisa que fiz sobre a origem do nome de alguns locais de nossa cidade:

 

Carcará: Lagoa em Nísia Floresta. De Carãi-cãrai, arranha-arranha, o arranhador, o gavião polyboros vulgaris, viell. Carcará. Indígenas Cariris do séc. XVII no Rio Grande do Norte. Data.141,1711, Riacho do Carcará.

Timbó: Povoação em Nísia Floresta. Significa o bafo, a fumarada, o vapor d’água. Planta cujo suco mata o peixe. Paulínia Pinnata (TS). O chamado Timbó-de-peixe é a Serjania Cuspidata.. Lagoa do Timbó em 1706. Data:89.

Imuna: Povoação em Nísia Floresta. De âmu-uma, o aliado negro, o parente, o associado negro.

Pirangi: Povoação e praia entre Parnamirim e Nísia Floresta. O rio Pirangi, desaguando no Atlântico. Divide o Pirangi-do-Norte, Parnamirim, do Pirangi do Sul, Nísia Floresta. De pira-gi-pe, no rio dos piranhas. Em documento de 1564 encontra-se referência no dito Porto dos Búzios que pela língua dos índios se chama PYRAMGYPE. O porto ou a praia de Búzios fica no Pirangi-do-Sul.

Puxi: Lagoa em Nísia Floresta, com o nome da Lagoa do Bom-fim. De ipu-xim, a fonte, o monadouro, brilhante, faiscante, pelo aspecto das águas trnsparentes;  ou i-poxi, água má, imprestável, por não ser piscosa. Uma lagoa sem peixes mereceria todo desprezo indígena. Era ainda sua denominação oficial em 1762, quando se fundou a Vila de São José. HIPOCHY em 1706. Frei Serafim da Catania mudou o nome de PUXI para BOM-FIM em 1863.

Fonte consultada: CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia, história e topomínia do Rio Grande do Norte. Fundação José Augusto, 1968.



Escrito por João Anastácio às 00h25
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O nascimento das duas Nísias

 

O atual município de Nísia Floresta foi outrora habitado pelos índios tupis e era conhecido desde 1607, com o nome de Papary, pela abundância de peixes nas várias lagoas existentes no território, especialmente a de Papary, chamada Paraguaçu, no século XVII.

Durante o domínio holandês não houve registro de maior progresso, que só começou a existir com a presença dos portugueses, já que somente em 1703, a comunidade em desenvolvimento começaria a construção da Igreja de Nossa Senhora do Ó, concluída em 1755.

Nas terras férteis em torno das lagoas foram cultivados milho, mandioca e outras lavouras, que juntamente com a pesca, proporcionaram o desenvolvimento econômico do povoado que, em 1852 foi elevado à condição de Vila Imperial de Papary, desmembrando-se de São José de Mipibu.

Em 1890, a Vila teve o nome mudado para Papary e em 1948, para Nísia Floresta, em homenagem a ilustre educadora, escritora e feminista, Dionísia Gonçalves Pinto, pioneira da luta pela extinção da escravidão.

Dionísia adotou o pseudônimo de Nísia Floresta Brasileira Augusta, sendo que Nísia vem do diminutivo de seu prenome, Floresta de Sítio Floresta (o local onde sua família morava quando ela nasceu), Brasileira por sua nacionalidade e Augusta por várias razões que serão abordadas noutra oportunidade.

Nascida em 12 de outubro de 1810, filha do português Dionísio Gonçalves Pinto com uma brasileira, Antônia Clara Freire, Nísia viveu quase três décadas na Europa.

 

Como Nísia, muitas pessoas tiveram que imigrar para outros lugares. Alguns em busca de melhores condições de vida, outros, como ela, para conseguir êxito sócio e intelectual e, acima de tudo, poder exercer o pleno controle de sua própria vida.

 

Mas o que faltava a Papary na época de Nísia e o que falta (ou sobra) hoje a cidade de Nísia Floresta para que muitos de seus jovens tenham que sair de perto de suas famílias?

Será esse o tema da próxima mensagem. Se você, leitor, quiser, pode responder a essa pergunta e ajudar a fazer esse blog. Gostaria muito de receber a sua colaboração.

 



Escrito por João Anastácio às 22h49
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Apresentação

     Conforme seu título indica, esse blog tem como objetivo discutir o passado e o presente de Nísia Floresta. Ou melhor, das duas Nísias: a pequena e pitoresca cidade do Rio Grande do Norte e a mundialmente famosa (ainda que muitas vezes ignorada em seu país) escritora.  

    Da mulher Nísia, pretende-se traçar um panorama de sua vida (sob um novo enfoque) e de sua época. Da cidade onde ela nasceu e que hoje leva seu nome se quer comentar, entre outros assuntos:

  • As histórias que nossos pais contavam.
  • A política nossa de cada dia.
  • A cultura, a literatura e a educação de seu povo.
  • Receitas culinária: herança de dois povos.
  • Curiosidades.
  • A atualidade da cidade de Nísia Floresta.

    Convido você, leitor, a contribuir comentando e sugerindo tópicos para discussão.

 



Escrito por João Anastácio às 20h45
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